terça-feira, 17 de novembro de 2009

Sobre o mundo real.


(lonely silence - by: NerySoul)


Tentava adormecer, quando ouviu um barulho lá fora. Olhou para o relógio na cabeceia de sua cama, 4:50 da manhã! Aquela avenida, apesar de muito movimentada em horário de pico, costumava ser esquisita na madrugada: poucos carros, alguns postes se apagavam, quase ninguém na rua. Permanecia deitada ouvindo os ruídos em baixo de seu prédio, mas não resistiu, foi olhar. Empurrou delicadamente as cortinas brancas para o lado, abriu um pouco a janela e espiou. Lá em baixo, dois rapazes. Pareciam ser novos: 18, 19 anos no máximo! Mas carregavam na face, marcas de uma vida difícil, sofrida, suada. Estavam fuçando o lixo, procuravam tudo que fosse reaproveitado e que lhes rendesse algum trocado para que no final do mês tivessem o que comer.
A garota percebeu que um, tinha se cansado e desistido daquele lixo; caminhava mais a frete colocando toda sua força para subir a ladeira com aquele carrinho pesado, repleto de bugigangas que conseguiu madrugada à fora. O outro não; permanecia estacionado ao lado o lixeiro. Encontrara um caixote, caixa de papelão e uma sacola cheia de roupas - que ela reconheceu ter jogado fora. O rosto do menino parecia feliz, como se tivesse encontrado um tesouro. Ficou ali, tentando organizar dentro do seu carrinho, tudo aquilo que encontrara. Colocava de um lado, caía de outro. Puxava daqui, caía de lá. Mesmo assim, ele não desistiu. Amassou o que podia amassar, separou o que podia separar, pendurou o que podia pendurar e voltou a organizar seu tesouro.
Nesse momento, a garota voltou-se ao seu quarto. Olhou sua cortina, feita de tecido caro. Sua cama confortável, a decoração toda angelical, o armário cheio de roupas novas, sua coleção de livro, seu computador, sua vitrola, sua T.V., o vídeo game... Olhou novamente garoto e começou a chorar.
Chorou por pena, chorou por raiva, chorou por culpa, chorou por sentir-se incapaz de mudar a vida daquele menino. Sentiu nojo de seu país! Ficou imaginando a vida dele, as inúmeras coisas que abriu mão para estar ali: buscado o pão, para alimentar toda sua família. Que país é esse que não dá oportunidades para seus jovens. Que gasta bilhões para sediar uma Copa do Mundo, enquanto sua população está fora da escola, morre de fome ou vêem na criminalidade a única esperança de um futuro ‘promissor’.
Continuava chorando, calada, espiando pela janela, quando o garoto terminou de arrumar seu carrinho e, com dificuldade, começou a empurrá-lo ladeira acima. Nesse mesmo instante, ouviu a sirene da polícia. Uma viatura vinha a toda velocidade, parou quando viu o menino.
Desceram quatro e o abordaram de forma rude e violenta. Antes mesmo que o garoto pudesse fala qualquer coisa, foi jogado ao chão e obrigado a colocar às mãos sobre a cabeça. Um policial revistava o garoto que chorava; outros dois bagunçavam seu carrinho fingindo procurar algo suspeito. O quarto permaneceu imóvel, desceu apenas para fumar seu malboro vermelho. Enquanto isso, na outra esquina, Maria – que levantara cedo para pegar seu primeiro ônibus, já lotado, rumo ao trabalho - reage a um assalto e leva um tiro na barriga. Os policiais ouvem o disparo e saem sem pedir desculpas ao garoto. Chegam até a mulher que está estendida ao chão, mas é tarde demais pra ela. 'mais uma Maria morta' pensa o tenente. 'Mais uma criança sem mãe' pensa o visinho que acordara com o barulho.
A uma esquina dalí, o garoto volta a arrumar seu carrinho com dificuldades, derramando algumas lágrimas e várias gotas de suor. A menina, cansada daquilo, fecha a janela e a cortina, liga o ar condicionado, põem a vitrola pra funcionar, deita-se na cama confortável, fecha os olhos e tenta domir. "Amanhã será um novo dia", ela sonha.

domingo, 15 de novembro de 2009

"ainda encontro a fórmula do amor'



É preciso estar com o coração livre, aberto e receptível ao amor
para que ele exista dentro de cada ser.
Não há fórmulas exatas que te leve até ele.
O amor é!
Simplesmente é.
Basta que feche os olhos e o sinta,
ele está mais próximo do que imagina.
Não procure o amor, seja amor!
E ame intensamente.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Joana.

Acordou. Levantou. Escovou. Refrescou. Vestiu. Comeu. Leu. Saiu. Malhou. Nadou. Suou. Voltou. Despiu. Banhou. Vestiu. Comeu. Saiu. Chegou. Cumprimentou. Bajulou. Arrumou. Respondeu. Assinou. Explicou. Assinou. Entregou. Trabalhou. Saiu. Almoçou. Pensou. Leu. Voltou. Cumprimentou. Bajulou. Bajulou. Bajulou. Trabalhou. Sentou. Descansou. Tocou, atendeu. Aceitou. Saiu. Encontrou. Abraçou. Beijou. Jantaram. Pagou. Dirigiu. Chegou. Abriu. Entraram. Abraçou. Beijou. Despiu. Beijou. Transaram. Cansou. Parou. Levantou. Vestiu. Despediu. Partiu. Dirigiu. Correu. Pensou. Chorou. Chorou. Chorou. Correu. Chegou. Parou. Desceu. Caminhou. Abriu. Entrou. Trancou. Acendeu. Apagou. Acendeu. Apagou. Acendeu. Despiu. Lavou. Chorou. Saiu. Vestiu. Desceu. Pensou. Ligou. Calou. Desligou. Subiu. Leu. Escreveu. Chorou. Deitou e dormiu. Joana...


... Estava cansada daquela vida, sentia-se infeliz.
Nada fazia sentido. Nada acelerava seu coração. Nada.
Seu verdadeiro amor estava distante. E ela, sentia-se solitária.
Mas continuava vivendo, na esperança de encontrá-lo um dia.

Não é possível escrever a história de Joana sem a dele para completá-la.
Ela está cansada de só fazer sentido. É triste. Quer ligação.
Precisa dele, sua coesão, para então existir de verdade.
Torçam por eles, p
or ela, sei lá!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

sobre o meu mais louco amor


Querido papel,

Eu sei, nossa relação é antiga. Cheia de altos e baixos, idas e vindas. Em alguns momentos, te escrevi palavras doces, de amor, revelei segredos meus e você os guardou tão bem. Noutros, te enchi de insultos, rancores, frustrações, medos, angústias e até jurei que nunca mais queria te ver de novo. Quantas vezes te molhei com lágrimas, te abracei com saudades ou te amassei com raiva. Lembra de tudo isso? Pois é. Mal sabia eu, que aquela amizade se transformaria em parceria e logo mais, em amor. Sim, eu te amo. Amo exageradamente a forma como você está presente em minha vida. Mas, meu querido, chegou a hora! Sempre chega. Preciso dizer adeus. Adeus, por que pela primeira vez, não tenho o que te dizer. Já fiz de tudo e, por mais que eu me tranque no quarto, que fique sozinha contigo e tente pensar em algo a te dizer, não consigo escrever uma linha se quer. Estou vazia! Perdi o jeito, entende? Peço que você me abandone antes de ficar em branco também, pois essa dor eu não suportaria. Você encontrará outro alguém - sempre encontramos outro alguém, não se preocupe - e não sentirá minha falta. Será completo outra vez. Mas hoje, meu amor, precisei partir sem você.
Estou desesperada. Sem saber pra onde ir e o que será de mim - uma pessoa que não sabe falar de si e que já não consegue escrever também - sem você para me ouvir, me acalmar. Sinto que não sou nada sem você e essa dependência me assusta.
Queria eu, estar subordinada a ti nesse momento e, só por hoje, eu fosse a tua ouvinte. Só assim, iria me distrair e, quem sabe, até esquecer essa ideia louca de me afastar de ti. Entenda que eu queria ficar, mas sinto que chegou a hora. Preciso sair de sua sombra, procurar palavras e expressá-las através da fala. Cansei de escrever cartas e de nunca obter respostas. Estou partindo para buscar as respostas que você nunca me deu. Espero que entenda: Mas hoje, só hoje, eu preciso te dizer adeus.
Escrevi, para que saibas que estou bem, mesmo com medo. Fiz minhas malas enquanto dormias e parti. Não te preocupa, seu beijo eu não esqueci. Guarde-o e me espere se assim preferir. Estou indo, mas eu volto! Assim que tiver o que te dizer...

Até qualquer dia.

Sempre sua.

Fernanda Brandão
(...) Queria aproveitar a oportunidade e aconselhar as pessoas a não se entregarem a esse tipo de droga. Os traficantes só pensam no dinheiro. Eles não se preocupam com a sua saúde, por isso tapam sua visão para as coisas boas e te oferecem drogas. Se você não reagir, vai acabar drogado: alienado, inculto, manobrável, consumível, descartável e distante; vai perder as referências e definhar mentalmente. Em vez de encher a cabeça com porcaria, pratique esporte e, na dúvida. Se não puder distinguir o que é droga ou não, faça o seguinte: não ligue a TV no Domingo à tarde.

(L. Fernando Veríssimo)



.... Férias está chegando,
quero viajar: indique-me livros!